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		<title>Pensamentos repentinos...</title>
		<description>...e outros textos.</description>
		<language>en</language>
		<lastBuildDate>Sat, 11 Apr 2009 03:45:13 +0000</lastBuildDate>
		<item>
			<title>Uma noite na cidade grande.</title>
			<description><![CDATA[<p>
<p class="MsoNormal">A noite caira. A escurid&atilde;o &eacute; como um v&eacute;u delicado por&eacute;m
intranspon&iacute;vel. O caminho de casa encontra-se estendido &agrave; sua frente como se
n&atilde;o houve outras possibilidades. Seus passos curtos e r&aacute;pidos a guiavam pela
via &uacute;nica como sempre fizeram. Mas h&aacute; qualquer coisa diferente na noite. Est&aacute;
tudo silencioso demais. O ar parecia denso, fazendo com que cada passo fosse
mais lento que o anterior. As ruas da cidade estavam vazias. Os feixes de luz
que vinham do alto dos postes pareciam estar escorrendo at&eacute; o ch&atilde;o, como se a
luz fosse l&iacute;quida. Est&aacute; frio. Os pr&eacute;dios altos e antigos assomavam a sua volta
cercando-a. Tinha uma sensa&ccedil;&atilde;o de finitude. Como se n&atilde;o houvesse nada al&eacute;m do
limite da sua vis&atilde;o. Ela gostava desta sensa&ccedil;&atilde;o. Dava-lhe seguran&ccedil;a.</p>
<p class="MsoNormal">De alguma janela bem acima da sua cabe&ccedil;a vinha uma melodia
l&uacute;gubre. Parecia um saxofone. Devia estar animando a noite solit&aacute;ria de algu&eacute;m
com suas notas lentas, quase arrastadas, suaves e penetrantes. Era como se a
m&uacute;sica estivesse realmente viva e possu&iacute;sse um corpo. Um corpo belo, sinuoso,
transbordando vol&uacute;pia e levando ao &ecirc;xtase aquele que a tocava, que a
acariciava. Ela foi, aos poucos, ficando para tr&aacute;s, se esvaindo lentamente da
sua consci&ecirc;ncia, at&eacute; que se extinguiu por completo.</p>
<p class="MsoNormal">O sil&ecirc;ncio agora pesava. A escurid&atilde;o parecia a envolver em
bra&ccedil;os frios e a acalentar. Sentia sono e cansa&ccedil;o. Ainda n&atilde;o havia visto
nenhuma pessoa. Ningu&eacute;m parecia estar acordado, ou at&eacute; mesmo vivo, a n&atilde;o ser
ela, o m&uacute;sico e sua m&uacute;sica, e a cada passo que dava, mais uma nuance da cidade
era desvelada, mas seus olhos n&atilde;o viam muito longe, por&eacute;m isso n&atilde;o a
preocupava. Preocupava-se apenas em continuar em seu caminho, qualquer um,
queria apenas continuar.</p>
<p class="MsoNormal">Ent&atilde;o, passo ap&oacute;s passo, o seu caminho se desvelou &agrave; sua
frente. Atrav&eacute;s de ruas e becos, transpondo toda a realidade fria e dura da
cidade de concreto, as sombras, o vazio, vagando entre o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel,
at&eacute; que em algum ponto da sua caminhada, seus passos eram levados, como se seus
p&eacute;s estivessem agora decidindo o rumo. Uma porta numa grande parede insossa,
uma escadaria, um corredor longo com mais portas. Em uma delas, ela ouviu
alguma coisa. Era um sinal. Algu&eacute;m estava se movendo ali dentro. Ela parou por
um instante pela porta. Podia ouvir uma suave melodia, quase inaud&iacute;vel. Era uma
valsa. Escutou por mais um breve momento, at&eacute; que percebeu que a valsa embalava
uma dan&ccedil;a solit&aacute;ria. Podia ouvir passos percorrendo o ch&atilde;o de madeira velha do
apartamento.</p>
<p class="MsoNormal">Continuou pelo corredor at&eacute; que entrou por uma porta. Uma
porta como todas as outras que levava a um quarto pequeno e frio como o resto
da cidade. A sensa&ccedil;&atilde;o de finitude ainda estava com ela, isso a mantinha
tranq&uuml;ila, mas algo ainda a inquietava. Acendeu as luzes para espantar a
escurid&atilde;o l&iacute;quida que parecia seguir ela. A l&acirc;mpada do quarto emitiu raios que
lentamente empurraram as sombras para fora, e essas por sua vez, escorreram
pelas paredes do pr&eacute;dio como se estivessem em uma fuga vagarosa. O quarto
estava livre da escurid&atilde;o. Dirigiu-se &agrave; janela e vislumbrou a cidade que
percorrera durante a noite. Teve a impress&atilde;o de o dia estava nascendo. Alcan&ccedil;ou
uma garrafa velha de conhaque que estava numa prateleira perto da janela e se
serviu de uma dose. Puxou uma cadeira e sentou-se. Bebeu um gole curto e
manteve os olhos fechados enquanto sentia o l&iacute;quido descer-lhe a garganta e
gradualmente espantar o frio que a encolhia, ent&atilde;o serviu-se de mais uma dose e
observou os pr&eacute;dios, duros e imponentes, as janelas, o horizonte, o sil&ecirc;ncio,
ent&atilde;o adormeceu sozinha, vencida pelo cansa&ccedil;o e pelo conhaque, embalada pelo
saxofone e pela valsa, apaziguada pela cidade e pelo dia que nasceu cinza.</p>
</p>]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2009/04/11/uma-noite-na-cidade-grande./</link>
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			<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 03:45:13 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>O meu problema...</title>
			<description><![CDATA[<p>Esses dias comecei a pensar sobre mim mesmo, e rever a minha forma de lidar com as pessoas e suas atitudes.</p>
<p>Tem uma coisa muito legal em mim. Isso pode soar presun&ccedil;oso, mas acho que &eacute; verdade: eu <span style="text-decoration: underline;">sempre</span> estou aberto para as pessoas, sempre tento ver o que a pessoa viu quando fez o que fez, o que quer que seja isso. Se a pessoa enganou, se a pessoa traiu, se algu&eacute;m fez algo que eu n&atilde;o faria, se matou algu&eacute;m, eu tento enxergar o que, <span style="text-decoration: underline;">para a pessoa</span>, justificou sua a&ccedil;&atilde;o, aquilo que serviu de <span style="text-decoration: underline;">motivo para ela</span>. Eu normalmente consigo fazer isso, tanto que durante toda a minha vida, eu acabava como mediador de situa&ccedil;&otilde;es de disputa e sempre tinha algo pertinente e construtivo para dizer ou fazer... eu gosto disso. Ser <span style="text-decoration: underline;">racional sempre</span> que algo que mobiliza muito algu&eacute;m acontece, para n&atilde;o cometer injusti&ccedil;as. Mesmo quando eu mesmo acabo me mobilizando, mesmo quando eu fico puto da vida com algo ou algu&eacute;m, eu tento ver o que fez aquela pessoa fazer o que fez. Para entender os seus motivos... isso &eacute; justificativa suficiente para mim. Isso n&atilde;o &eacute; algo que eu fa&ccedil;o, &eacute; <span style="text-decoration: underline;">a</span><span style="text-decoration: underline;">lgo que acontece em mim</span>, como se fosse natural, se distanciar das coisas para conseguir enxergar tudo o que cerca o acontecido.</p>
<p>O problema &eacute; que sou <strong>humano</strong>.</p>
<p>Uma inconsist&ecirc;ncia das teorias humanista-fenomenol&oacute;gica. Eu pelo menos uma incompatibilidade minha com tal.</p>
<p>Imposs&iacute;vel n&atilde;o ter nenhuma rea&ccedil;&atilde;o emocional a algo que mexa muito comigo. Pelo menos para mim &eacute; imposs&iacute;vel. Por isso, os sentimentos, os &oacute;dios, os rancores, as discord&acirc;ncias, os desconfortos, os ciumes, os medos, as vontades de matar, <span style="text-decoration: underline;">as vontades</span> de ofender, as vontades de gritar na cara, at&eacute; o &oacute;dio que sinto daqueles que s&atilde;o impetuosos, que agem por instinto ou baseado nas vontades e sentimentos, eu <span style="text-decoration: underline;">guardo para mim</span>. Tudo guardadinho em segredo. As vezes esque&ccedil;o que eles est&atilde;o aqui dentro, as vezes as outras pessoas se esquecem que al&eacute;m de pensar em tudo, eu tamb&eacute;m sinto, por isso se surpreendem quando digo, com fogo nos olhos, que daria um <span style="text-decoration: underline;">tiro em algu&eacute;m</span>.</p>
<p>Eu esque&ccedil;o, mas eles n&atilde;o se esquecem, e como uma <span style="text-decoration: underline;">panela de press&atilde;o</span>, buscam uma sa&iacute;da.</p>
<p>Minha sombra.</p>
<p>Chega um momento em que eu preciso de tempo. Acho que chegou. Preciso de tempo, preciso elaborar, dar conta disso. Quero estar sozinho, quero ficar calado, quero dist&acirc;ncia para n&atilde;o ferir ningu&eacute;m... est&aacute; tudo &agrave; flor da pele.</p>
<p>T&atilde;o &agrave; flor da pele...</p>]]></description>
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			<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 02:09:55 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>O Pequeno Príncipe, Capítulo XXI</title>
			<description><![CDATA[<p>
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<p>Quando eu era crian&ccedil;a minha m&atilde;e mandou eu ler esse livro. Eu n&atilde;o o fiz.</p>
<p>Quando eu estava na escola a professora mandou ler esse livro. Eu n&atilde;o o fiz</p>
<p>Mas lembro claramente deste trecho... me chamou bastante aten&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E foi ent&atilde;o que apareceu a raposa:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1026" type="#_x0000_t75" alt=""
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<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1027" type="#_x0000_t75" alt=""
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principezinho, que se voltou, mas n&atilde;o viu nada.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1028" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image004.gif" v:shapes="_x0000_i1028" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da
macieira...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1029" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image005.gif" v:shapes="_x0000_i1029" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Quem &eacute;s tu? perguntou o principezinho. Tu
&eacute;s bem bonita...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1030" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image006.gif" v:shapes="_x0000_i1030" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Sou uma raposa, disse a raposa.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1031" type="#_x0000_t75" alt=""
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Estou t&atilde;o triste...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1032" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image008.gif" v:shapes="_x0000_i1032" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Eu n&atilde;o posso brincar contigo, disse a
raposa. n&atilde;o me cativaram ainda.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1033" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image009.gif" v:shapes="_x0000_i1033" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Ah! desculpa, disse o principezinho.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1034" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image010.gif" v:shapes="_x0000_i1034" height="1" width="36" /><!--[endif]-->Ap&oacute;s uma reflex&atilde;o, acrescentou:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1035" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image011.gif" v:shapes="_x0000_i1035" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Que quer dizer "cativar"?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1036" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image012.gif" v:shapes="_x0000_i1036" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Tu n&atilde;o &eacute;s daqui, disse a raposa. Que
procuras?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1037" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image013.gif" v:shapes="_x0000_i1037" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Procuro os homens, disse o principezinho.
Que quer dizer "cativar"?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1038" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image014.gif" v:shapes="_x0000_i1038" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Os homens, disse a raposa, t&ecirc;m fuzis e
ca&ccedil;am. &Eacute; bem inc&ocirc;modo! Criam galinhas tamb&eacute;m. &Eacute; a &uacute;nica coisa interessante que
fazem. Tu procuras galinhas?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1039" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image015.gif" v:shapes="_x0000_i1039" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- N&atilde;o, disse o principezinho. Eu procuro
amigos. Que quer dizer "cativar"?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1040" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image016.gif" v:shapes="_x0000_i1040" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- &Eacute; uma coisa muito esquecida, disse a
raposa. Significa "criar la&ccedil;os..."<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1041" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image017.gif" v:shapes="_x0000_i1041" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Criar la&ccedil;os?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1042" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image018.gif" v:shapes="_x0000_i1042" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Exatamente, disse a raposa. Tu n&atilde;o &eacute;s para
mim sen&atilde;o um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu n&atilde;o tenho
necessidade de ti. E tu n&atilde;o tens tamb&eacute;m necessidade de mim. N&atilde;o passo a teus
olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, n&oacute;s
teremos necessidade um do outro. Ser&aacute;s para mim &uacute;nico no mundo. E eu serei para
ti &uacute;nica no mundo...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1043" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image019.gif" v:shapes="_x0000_i1043" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Come&ccedil;o a compreender, disse o
principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1044" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image020.gif" v:shapes="_x0000_i1044" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- &Eacute; poss&iacute;vel, disse a raposa. V&ecirc;-se tanta
coisa na Terra...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1045" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image021.gif" v:shapes="_x0000_i1045" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Oh! n&atilde;o foi na Terra, disse o
principezinho.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1046" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image022.gif" v:shapes="_x0000_i1046" height="1" width="36" /><!--[endif]-->A raposa pareceu intrigada:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1047" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image023.gif" v:shapes="_x0000_i1047" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Num outro planeta?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1048" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image024.gif" v:shapes="_x0000_i1048" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Sim.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1049" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image025.gif" v:shapes="_x0000_i1049" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- H&aacute; ca&ccedil;adores nesse planeta?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1050" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image026.gif" v:shapes="_x0000_i1050" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- N&atilde;o.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1051" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image027.gif" v:shapes="_x0000_i1051" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Que bom! E galinhas?<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1052" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image028.gif" v:shapes="_x0000_i1052" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Tamb&eacute;m n&atilde;o.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1053" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image029.gif" v:shapes="_x0000_i1053" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Nada &eacute; perfeito, suspirou a raposa.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1054" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image030.gif" v:shapes="_x0000_i1054" height="1" width="36" /><!--[endif]-->Mas a raposa voltou &agrave; sua id&eacute;ia.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1055" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image031.gif" v:shapes="_x0000_i1055" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Minha vida &eacute; mon&oacute;tona. Eu ca&ccedil;o as galinhas
e os homens me ca&ccedil;am. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
tamb&eacute;m. E por isso eu me aborre&ccedil;o um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida
ser&aacute; como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que ser&aacute; diferente
dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1056" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image032.gif" v:shapes="_x0000_i1056" height="1" width="36" /><!--[endif]-->O teu me chamar&aacute; para fora da toca, como se
fosse m&uacute;sica. E depois, olha! V&ecirc;s, l&aacute; longe, os campos de trigo? Eu n&atilde;o como
p&atilde;o. O trigo para mim &eacute; in&uacute;til. Os campos de trigo n&atilde;o me lembram coisa alguma.
E isso &eacute; triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Ent&atilde;o ser&aacute; maravilhoso quando
me tiveres cativado. O trigo, que &eacute; dourado, far&aacute; lembrar-me de ti. E eu amarei
o barulho do vento no trigo...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1057" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image033.gif" v:shapes="_x0000_i1057" height="1" width="36" /><!--[endif]-->A raposa calou-se e considerou por muito
tempo o pr&iacute;ncipe:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1058" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image034.gif" v:shapes="_x0000_i1058" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Por favor... cativa-me! disse ela.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1059" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image035.gif" v:shapes="_x0000_i1059" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu
n&atilde;o tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1060" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image036.gif" v:shapes="_x0000_i1060" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- A gente s&oacute; conhece bem as coisas que
cativou, disse a raposa. Os homens n&atilde;o t&ecirc;m mais tempo de conhecer alguma coisa.
Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como n&atilde;o existem lojas de amigos, os
homens n&atilde;o t&ecirc;m mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1061" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image037.gif" v:shapes="_x0000_i1061" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Que &eacute; preciso fazer? perguntou o
principezinho.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1062" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image038.gif" v:shapes="_x0000_i1062" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- &Eacute; preciso ser paciente, respondeu a raposa.
Tu te sentar&aacute;s primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei
com o canto do olho e tu n&atilde;o dir&aacute;s nada. A linguagem &eacute; uma fonte de
mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentar&aacute;s mais perto...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1063" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image039.gif" v:shapes="_x0000_i1063" height="1" width="36" /><!--[endif]-->No dia seguinte o principezinho voltou.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1064" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image040.gif" v:shapes="_x0000_i1064" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Teria sido melhor voltares &agrave; mesma hora,
disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, &agrave;s quatro da tarde, desde as tr&ecirc;s eu
come&ccedil;arei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei
feliz. &Agrave;s quatro horas, ent&atilde;o, estarei inquieta e agitada: descobrirei o pre&ccedil;o
da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar
o cora&ccedil;&atilde;o... &Eacute; preciso ritos.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1065" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image041.gif" v:shapes="_x0000_i1065" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Que &eacute; um rito? perguntou o principezinho.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1066" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image042.gif" v:shapes="_x0000_i1066" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- &Eacute; uma coisa muito esquecida tamb&eacute;m, disse a
raposa. &Eacute; o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora,
das outras horas. Os meus ca&ccedil;adores, por exemplo, possuem um rito. Dan&ccedil;am na
quinta-feira com as mo&ccedil;as da aldeia. A quinta-feira ent&atilde;o &eacute; o dia maravilhoso!
Vou passear at&eacute; a vinha. Se os ca&ccedil;adores dan&ccedil;assem qualquer dia, os dias seriam
todos iguais, e eu n&atilde;o teria f&eacute;rias!<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1067" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image043.gif" v:shapes="_x0000_i1067" height="1" width="36" /><!--[endif]-->Assim o principezinho cativou a raposa. Mas,
quando chegou a hora da partida, a raposa disse:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1068" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image044.gif" v:shapes="_x0000_i1068" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Ah! Eu vou chorar.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1069" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image045.gif" v:shapes="_x0000_i1069" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- A culpa &eacute; tua, disse o principezinho, eu
n&atilde;o queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1070" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image046.gif" v:shapes="_x0000_i1070" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Quis, disse a raposa.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1071" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image047.gif" v:shapes="_x0000_i1071" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1072" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image048.gif" v:shapes="_x0000_i1072" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Vou, disse a raposa.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1073" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image049.gif" v:shapes="_x0000_i1073" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Ent&atilde;o, n&atilde;o sais lucrando nada!<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1074" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image050.gif" v:shapes="_x0000_i1074" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor
do trigo.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1075" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image051.gif" v:shapes="_x0000_i1075" height="1" width="36" /><!--[endif]-->Depois ela acrescentou:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1076" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image052.gif" v:shapes="_x0000_i1076" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Vai rever as rosas. Tu compreender&aacute;s que a
tua &eacute; a &uacute;nica no mundo. Tu voltar&aacute;s para me dizer adeus, e eu te farei presente
de um segredo.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1077" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image053.gif" v:shapes="_x0000_i1077" height="1" width="36" /><!--[endif]-->Foi o principezinho rever as rosas:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1078" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image054.gif" v:shapes="_x0000_i1078" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- V&oacute;s n&atilde;o sois absolutamente iguais &agrave; minha
rosa, v&oacute;s n&atilde;o sois nada ainda. Ningu&eacute;m ainda vos cativou, nem cativastes a
ningu&eacute;m. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras.
Mas eu fiz dela um amigo. Ela &aacute; agora &uacute;nica no mundo.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1079" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image055.gif" v:shapes="_x0000_i1079" height="1" width="36" /><!--[endif]-->E as rosas estavam desapontadas.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1080" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image056.gif" v:shapes="_x0000_i1080" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda.
N&atilde;o se pode morrer por v&oacute;s. Minha rosa, sem d&uacute;vida um transeunte qualquer
pensaria que se parece convosco. Ela sozinha &eacute;, por&eacute;m, mais importante que v&oacute;s
todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela
que abriguei com o p&aacute;ra-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou
tr&ecirc;s por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou
gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. &Eacute; a minha rosa.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1081" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image057.gif" v:shapes="_x0000_i1081" height="1" width="36" /><!--[endif]-->E voltou, ent&atilde;o, &agrave; raposa:<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1082" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image058.gif" v:shapes="_x0000_i1082" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Adeus, disse ele...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1083" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image059.gif" v:shapes="_x0000_i1083" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. &Eacute;
muito simples: s&oacute; se v&ecirc; bem com o cora&ccedil;&atilde;o. O essencial &eacute; invis&iacute;vel para os
olhos.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1084" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image060.gif" v:shapes="_x0000_i1084" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- O essencial &eacute; invis&iacute;vel para os olhos,
repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1085" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image061.gif" v:shapes="_x0000_i1085" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que
fez tua rosa t&atilde;o importante.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1086" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image062.gif" v:shapes="_x0000_i1086" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Foi o tempo que eu perdi com a minha
rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1087" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image063.gif" v:shapes="_x0000_i1087" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Os homens esqueceram essa verdade, disse a
raposa. Mas tu n&atilde;o a deves esquecer. <b>Tu te tornas eternamente respons&aacute;vel por
aquilo que cativas</b>. Tu &eacute;s respons&aacute;vel pela rosa...<o:p></o:p></p>
<p><!--[if gte vml 1]><v:shape id="_x0000_i1088" type="#_x0000_t75" alt=""
 style="width:27pt;height:.75pt" mce_style="width:27pt;height:.75pt" /><![endif]--><!--[if !vml]--><img src="file:///C:/DOCUME~1/CAIORO~1/CONFIG~1/Temp/msoclip1/01/clip_image064.gif" v:shapes="_x0000_i1088" height="1" width="36" /><!--[endif]-->- Eu sou respons&aacute;vel pela minha rosa...
repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu sei que &eacute; infantil, mas t&aacute; valendo.</p></meta></meta></meta></meta></link></link></w:donotoptimizeforbrowser></v:stroke></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:path></o:lock></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape></v:shape>]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/09/10/o-pequeno-prncipe-captulo-xxi/</link>
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			<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 22:53:25 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Uma das dores humanas</title>
			<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span></span><span style="cursor: pointer;"></span><img src="C:\Documents and Settings\Caio Rohr\Meus documentos\Minhas imagens\fotos antigas\3" /><b><span><span><span>Expectativa</span></span></span></b><span><span><span><img style="float: right;" src="http://flyingtime28.files.wordpress.com/2008/03/a_espera_by_ritaangel.jpg" height="390" width="300" /></span></span></span><span><span> 
<table style="height: 1px;" background="/dlpo/imagens/ponto.gif" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td><img src="http://www.priberam.pt/dlpo/imagens/transparent.gif" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<br />
<blockquote><br /><span><span>s. f.</span></span>,
<div style="padding-left: 20px; line-height: 16px;"><span style="cursor: pointer;">esperan&ccedil;a baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas;<br /></span></div>
<div style="padding-left: 20px; line-height: 16px;"><span style="cursor: pointer;">esperan&ccedil;a;<br /></span></div>
<div style="padding-left: 20px; line-height: 16px;"><span style="cursor: pointer;">probabilidade;<br /></span></div>
<div style="padding-left: 20px; line-height: 16px;"><span style="cursor: pointer;">expecta&ccedil;&atilde;o.</span></div>
</blockquote>
</span></span></p>
<p>O pior &eacute; que somos escravos dela.</p>
<p>Uma vez, ao iniciar um relacionamento, um amigo me perguntou "e a&iacute;, como voc&ecirc;s est&atilde;o?". Eu, apaixonado como estava, respondi "estamos &oacute;timos, mas sabe qual a melhor coisa a respeito disso? eu n&atilde;o crio nenhuma expectativa quanto &agrave;s atitudes e decis&otilde;es que ela toma, apenas gosto dela do jeito que ela se apresenta pra mim".</p>
<p>Mentira.</p>
<p>Como se uma coisa dessas fosse humanamente poss&iacute;vel.</p>
<p>Seria t&atilde;o legal... evitaria tantos transtornos.</p>
<p>Eu n&atilde;o sei o que pensar dos monges, dos gurus, do homens santos que conseguem abrir m&atilde;o de tudo e n&atilde;o sofrer dessas coisas. N&atilde;o os admiro, pois &eacute; humano passar por isso que passamos, e abrir m&atilde;o disso &eacute;, tamb&eacute;m, abrir m&atilde;o de quase todos os sentimentos humanos. Simplesmente n&atilde;o se pode escolher um sentimento espec&iacute;fico e descarta-lo... tem que jogar o pacote todo fora.</p>
<p>No entanto tamb&eacute;m n&atilde;o sinto pena deles.</p>
<p>Mentira.</p>
<p>Eu sinto. &Eacute; humano criar opini&otilde;es e se colocar de um lado ou do outro. Mesmo que isso seja errado.</p>
<p>Quem sou eu para julgar o ser humano?</p>
<p>Enquanto isso, eu, junto com todos os outros e com todos aqueles que escondem isso, sofro minhas dores humanas.</p>]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/08/29/uma-das-dores-humanas/</link>
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			<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 19:39:34 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Uma experiência e um ponto de vista</title>
			<description><![CDATA[<p><a href="http://caiorohr.tabulas.com/gallery/a@0/praia.jpg/"><img style="float: right;" src="http://images.tabulas.com/68151/m/praia.jpg" height="241" width="344" /></a></p>
<p>Alguns anos atr&aacute;s, provavelmente no ver&atilde;o de 2003, meus pais alugaram, pelo per&iacute;odo de um ver&atilde;o, uma casa em Guarajuba. A fam&iacute;lia inteira se mudou para l&aacute;, diversos amigos e cada um de n&oacute;s tinha o direito de convidar algu&eacute;m para passar algum tempo conosco. A casa era muito grande.</p>
<p>Obviamente eu chamei a pessoa que chamava de namorada, na &eacute;poca.</p>
<p>Praia, churrasco, piscina, restaurantes... a rotina era agrad&aacute;vel.</p>
<p>E foi nesse lugar que eu vivi uma experi&ecirc;ncia que sempre esteve muito fresca na minha mem&oacute;ria... eu sempre lembrava dela, mas n&atilde;o fazia nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com coisa alguma, nem nunca via nenhum significado naquilo.</p>
<p>A experi&ecirc;ncia foi a seguinte:</p>
<p><br />Um dia, n&atilde;o sei por que diabos, minha namorada brigou comigo... ela nunca parecia ter um motivo para brigar comigo, mas o fazia... muito bem, vou me ater simplesmente ao que me marcou. N&atilde;o foi a briga, n&atilde;o foram as paragens nas quais me encontrava. Foi o que fiz.</p>
<p>Como disse antes, n&atilde;o lembro o motivo da briga, por tanto fica dif&iacute;cil dizer o que tinha em mente quando decidi fazer o que fiz. E o que fiz foi o seguinte: eu sa&iacute; pra dar uma volta...</p>
<p>Sa&iacute; pra andar at&eacute; que o momento de voltar surgisse.</p>
<p>Rumei ent&atilde;o para a praia. N&atilde;o sei porque a praia. Poderia ter ido em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; vila (se &eacute; que aquilo pode ser chamado de vila)... podia ter feito qualquer coisa, mas decidir andar na praia e seguir ao norte.</p>
<p>Lembro que desci do passeio de madeira e pisei na areia. Assim que o fiz, tirei meus chinelos e senti a areia fria entre os meus dedos. Era de noite. A lua estava na sua fase crescente, algumas estrelas a salpicar o c&eacute;u, o barulho suave das ondas como se elas massageassem a areia diante de mim.</p>
<p>Comecei a andar, e seguindo meu caminho eu percebi os barcos dos pescadores repousando na areia, as barracas fechadas, sem movimento algum, muito diferente de como as conhecia, vi as plantas, que mesmo no escuro pareciam verdejantes e vivas, como se o brilho da lua e das estrelas as fizessem mais belas, os coqueiros, o barulho do vento e das aves que viviam por ali. N&atilde;o lembro de ter cruzado com algu&eacute;m. Lembro que segui a linha da praia que fazia muitas curvas. Molhava meus p&eacute;s aqui e ali e em certo momento, resolvi me sentar e observar o movimento que o mar, pobremente iluminado pela lua e estrelas, fazia.</p>
<p>Fiquei ali algum tempo. Acho que nesse momento algu&eacute;m passou por mim. Caminhando na dire&ccedil;&atilde;o da qual eu estava vindo. Como estava sentado e virado para o mar, n&atilde;o vi quem passou ali. Pode ter sido qualquer um, que pode ter pensado qualquer coisa ao ver algu&eacute;m sentado perto do mar, as 22:00 de um dia qualquer da semana.</p>
<p>Ent&atilde;o me levantei e rumei mais ainda ao norte e tudo que se passava na minha cabe&ccedil;a eram as coisas que eu via, ouvia e cheirava naquele instante. Ent&atilde;o um pensamento me veio &agrave; cabe&ccedil;a. Algo que eu n&atilde;o esperava, algo me fazia lembrar das pessoas que havia deixado para tr&aacute;s, estariam elas preocupadas com o meu sumisso? o que elas faziam na minha aus&ecirc;ncia? o que elas faziam com a minha aus&ecirc;ncia?</p>
<p>Resolvi voltar.</p>
<p>As plantas n&atilde;o estavam mais t&atilde;o bonitas e as aves pareciam estar gritando, xingando ou chorando. A noite ficou fria.</p>
<p>Quando cheguei &agrave; casa, encontrei minha namorada sentada &agrave; varanda conversando com meu irm&atilde;o. Quando ela me viu, veio falar comigo fria como a noite.</p>
<p>- Aonde voc&ecirc; estava?</p>
<p>- Tava andando pela praia, porque?</p>
<p>- Nada. Voc&ecirc; sumiu a quase tr&ecirc;s horas atr&aacute;s e n&atilde;o avisou ningu&eacute;m. As pessoas est&atilde;o preocupadas contigo. Ah, tem mais uma coisa: minha m&atilde;e est&aacute; vindo me buscar.</p>
<p>- Porque?</p>
<p>- Eu n&atilde;o quero mais ficar aqui. Se for pra voc&ecirc; fazer isso toda vez que brigarmos, prefiro ir embora. Agora te pergunto, o que voc&ecirc; estava fazendo na praia?</p>
<p>- Nada, estava andado.</p>
<p>- Pensando em nada?</p>
<p>- N&atilde;o. &Eacute; diferente. N&atilde;o estava pensando em nada. Simplesmente n&atilde;o estava pesando. N&atilde;o havia nada na minha cabe&ccedil;a. Apenas estava ali, andando e vendo as coisas.</p>
<p>- Pensei que voc&ecirc; tivesse sa&iacute;do para pensar sobre nossa briga.</p>
<p>- Esse &eacute; o nosso problema, pensamos demais. Sa&iacute; para tentar fugir disso, e no momento que um pensamento invadiu minha mente, percebi que era o momento de voltar, pois percebi que n&atilde;o consegui me livrar dessa nossa necessidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isso realmente aconteceu. Me lembro nitidamente dessas coisas que descrevi.</p>
<p>Sinto falta de fazer isso as vezes. De andar, andar, andar, andar... at&eacute; o momento de voltar. Sem nada na cabe&ccedil;a.</p>
<p>Hoje tentei fazer isso. Dirigi vagarosamente por a&iacute;, mas todas as vias que entrava me levava para casa. Era o &uacute;nico lugar aonde eu n&atilde;o queria estar, mas de alguma forma era o &uacute;nico lugar que eu conseguia ir.</p>
<p>Acho que n&atilde;o consegui tirar tudo da cabe&ccedil;a hoje.</p>]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/08/22/uma-experincia-e-um-ponto-de-vista/</link>
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			<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 03:18:31 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Mudança de Vida - Parte I: O Viajante</title>
			<description><![CDATA[<p>
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<p class="MsoNormal">Ele havia partido. Deixado tudo para tr&aacute;s para recome&ccedil;ar.
N&atilde;o estava fugindo de coisa alguma, n&atilde;o havia se acovardado frente &agrave; sua
rotina, apenas estava &aacute;vido por conta da possibilidade de se apaixonar mais uma
vez. Se apaixonar pela vida, reaver algum &iacute;mpeto, conquistar algum sentimento,
algo genuinamente seu. Era algo promissor. Havia se apaixonado antes, e amava a
sensa&ccedil;&atilde;o. Ele havia experimentado quase tudo que a sua antiga vida poderia
oferecer, por isso corria atr&aacute;s do que havia de novo pelo mundo. Por isso ele
largou tudo o que tinha e foi para longe.</p>
<p class="MsoNormal">Ao chegar aonde pretendia, tudo que havia imaginado come&ccedil;ou
a se tornar realidade. Conheceu novas pessoas, novos h&aacute;bitos, novas capacidades
e criou novas rela&ccedil;&otilde;es, um c&iacute;rculo social completamente novo, que era composto
de pessoas que n&atilde;o faziam, de forma alguma, parte do seu passado, portanto s&oacute;
se relacionavam com ele por causa de algum tipo de afinidade ou afeto. Era isso
que ele queria: rela&ccedil;&otilde;es que se sustentassem por um fio, um fio t&ecirc;nue, o fio do
afeto, nada mais, pois para ele, o afeto que t&iacute;nhamos para com qualquer coisa
era o que havia de mais honesto e humano em cada um.</p>
<p class="MsoNormal">Mas havia algo de errado nele: ele estava amando. Entregando
cada peda&ccedil;o de si e cada a&ccedil;&atilde;o da sua vontade a esse amor. Por conta disso ele
havia partido, por isso havia deixado tudo que tinha para tr&aacute;s. A simples no&ccedil;&atilde;o
desse amor, o amedrontava. Ele se deleitava com a sensa&ccedil;&atilde;o e com a efetiva&ccedil;&atilde;o
das suas vontades relacionadas a esse amor. Por isso tinha medo. Tinha medo de
amar mais uma vez e deixar tudo para tr&aacute;s de novo, como havia feito. Por conta
disso, ele se apresentava apenas como &lsquo;O Viajante&rsquo;, pois n&atilde;o queria criar
intimidade, queria tudo e todos, mas queria se manter para si. Os outros que o
apreciassem do jeito que ele fosse, e n&atilde;o atrav&eacute;s de algo que algu&eacute;m tinha
escolhido para representa-lo, se quisessem outra palavra para denomina-lo, que
a escolhessem eles mesmos.</p>
<p class="MsoNormal"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal">Ent&atilde;o O Viajante foi vivendo sua vida. Trabalhava, estudava,
saia, festejava com os colegas. At&eacute; que encontrou algu&eacute;m que marcou sua vida,
algu&eacute;m que nem sempre o entendia, mas que sempre estava em contato com ele, com
seus sentimentos e com tudo aquilo que representava O Viajante. O nome dessa
pessoa era Pilar. Ela o entendia, pois era como ele: apaixonado, amante,
impetuoso e instintivo. Isso o fascinava, pois sabia exatamente o que passava
na mente de Pilar, sabia as suas opini&otilde;es a respeito de tudo, e previa suas
rea&ccedil;&otilde;es antes mesmo de algo as aliciar, e quase nunca errava. Era quase uma
c&oacute;pia sua.</p>
<p class="MsoNormal"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal">O tempo foi passando, a rela&ccedil;&atilde;o d&rsquo;O Viajante com Pilar viveu
altos e baixos. Hora se distanciavam, pois achavam que n&atilde;o havia nada em comum
entre eles nesses momentos um fazia muita falta ao outro, mas quando se
encontravam, as situa&ccedil;&otilde;es era extremamente enfadonha, chegando at&eacute; ao embara&ccedil;o
certa vez; hora estavam juntos e n&atilde;o havia motivos suficientes para que eles se
separassem, e era essa a impress&atilde;o que todos tinham.</p>
<p class="MsoNormal"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal">Lentamente Pilar foi conhecendo O Viajante, e a rec&iacute;proca
era verdadeira. Eles admiravam mais ainda as peculiaridades e a personalidade
do outro como um tudo. Dois organismos que dependiam um do outro, mas se davam
espa&ccedil;o suficiente para isso fosse uma op&ccedil;&atilde;o. E assim eles coexistiam.</p>
<p class="MsoNormal"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal">Um dia O Viajante se sentiu nost&aacute;lgico. Sentiu falta das
sensa&ccedil;&otilde;es que permeavam sua vida no passado, percebeu que estava muito distante
delas por tempo e espa&ccedil;o e se entristesceu. Sentia saudades. Assim descobriu
que havia mais um amor na sua vida, descobriu que n&atilde;o havia como abrir m&atilde;o do
seu passado. Isso o entristesceu mais ainda. No entanto ele n&atilde;o entendia como
poderia se sentir triste se estava vivendo tudo que um dia sonhara. Estava
descobrindo pessoas novas e interessantes, situa&ccedil;&otilde;es inesperadas e
inesquec&iacute;veis, sentimentos indiscutivelmente estranhos para ele e
inimaginavelmente satisfat&oacute;rios tamb&eacute;m. N&atilde;o havia raz&atilde;o l&oacute;gica para a tristeza
dele. Ent&atilde;o ele resolveu compartilhar seus sentimentos e tudo que estava em sua
mente com Pilar. Ela disse que sabia o que havia de errado com O Viajante.</p>
<p class="MsoNormal"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal">E nesse dia Pilar resolveu deixar para tr&aacute;s o t&iacute;tulo &lsquo;O
Viajante&rsquo; e resolveu o chamar de &lsquo;O Solit&aacute;rio&rsquo;.</p>
<p class="MsoNormal"><!--[if !supportEmptyParas]--><!--[endif]--><o:p></o:p></p></meta></meta></meta></meta></link></w:donotoptimizeforbrowser></o:shapedefaults></o:idmap>]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/08/11/mudana-de-vida---parte-i:-o-viajante/</link>
			<guid isPermaLink="true">http://caiorohr.tabulas.com/2008/08/11/mudana-de-vida---parte-i:-o-viajante/</guid>
			<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 03:02:39 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Relatório de Estágio.</title>
			<description><![CDATA[<p>&Eacute; dif&iacute;cil falar sobre um est&aacute;gio do qual eu mal participei, relatar as experi&ecirc;ncias pelas quais o grupo passou, discorrer sobre os ocorridos em sala de aula, etc., creio tamb&eacute;m que esse n&atilde;o &eacute; o objetivo desse relat&oacute;rio. Sinto-me bem certo disso ao lembrar do &uacute;ltimo encontro que tivemos e daquele na qual foi discutida em sala de aula a diferen&ccedil;a que a minha aus&ecirc;ncia, a de Luana e a de Gabriel faziam na sala. Foi dito, que n&atilde;o era necess&aacute;rio que eu estivesse no grupo religiosamente nem atendesse todas as expectativas para que eu pertencesse ao grupo. Eu sinto que fiz parte do grupo. Sei que n&atilde;o atendi &agrave;s expectativas, mas n&atilde;o me sinto culpado pois fiz parte do grupo do meu jeito, no meu tempo e dentro dos meus limites. </p>

<p>Queria ent&atilde;o falar um pouco da impress&atilde;o que tive a respeito do tema do est&aacute;gio. Gostaria de come&ccedil;ar por a&iacute;, pois foi por esse caminho que escolhi o est&aacute;gio dentre todas as op&ccedil;&otilde;es que tive (nenhuma me agradou... mesmo). Pra falar a verdade nem lembro ao certo do nome do est&aacute;gio. Quando me perguntavam, eu respondia &ldquo;tem a ver com o corpo, no&ccedil;&otilde;es corporais e din&acirc;micas de grupo&rdquo;. Eu acho que isso ilustra bem o que o est&aacute;gio representou para mim. Um lugar aonde poder&iacute;amos dar aten&ccedil;&atilde;o ao nosso corpo, que &eacute; o intermedi&aacute;rio das nossas rela&ccedil;&otilde;es com o mundo (surge a&iacute; a relev&acirc;ncia do corpo para mim), onde aprender&iacute;amos como notar n&oacute;s mesmos no nosso corpo e aprender a possibilitar que o outro aprenda a respeito dele mesmo dentro do seu corpo. Esse era o objetivo do est&aacute;gio para os meus olhos. </p>

<p>Ent&atilde;o. Come&ccedil;o a falar sobre os encontros. Participamos de in&uacute;meras din&acirc;micas. Todas me interessaram bastante, mas uma me mexeu de forma diferente. A que dever&iacute;amos manter o olhar fixado no olhar do outro enquanto um deitava e o outro estava sentado &ldquo;tomando conta&rdquo; do outro. Eu j&aacute; tinha tido experi&ecirc;ncias de manter o olhar fixado no outro por bastante tempo, mas n&atilde;o sei o que foi que me trouxe essa sensa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia, como se olhar para o outro fosse quase um pedido &ldquo;por favor, agora eu preciso de voc&ecirc;, n&atilde;o saia&rdquo;. Uma sensa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade que foi desagrad&aacute;vel. Talvez por conta da posi&ccedil;&atilde;o, talvez por outro motivo, mas acho que desvendar os porqu&ecirc;s n&atilde;o conv&eacute;m neste momento. Ent&atilde;o comecei a faltar encontros. Faltei quatro seguidos, se n&atilde;o me engano. A&iacute;, antes do quinto (que eu n&atilde;o faltaria), fui abordado por Thais Ribas, que me pediu para estar presente naquele dia, pois minha aus&ecirc;ncia tinha sido quest&atilde;o de discuss&atilde;o no encontro anterior. Fiquei apreensivo, n&atilde;o vou mentir, mas resolvi encarar o que viria... e me surpreendi! Foi um encontro intenso pra mim, posso n&atilde;o ter mostrado isso que digo, mas foi. Por alguns dias eu pensei sobre o que foi dito, e pude constatar o que disse no in&iacute;cio desse texto. A maioria das pessoas eu j&aacute; conhecia, peguei algumas mat&eacute;rias com cada uma delas, mas nunca tive um v&iacute;nculo, com nenhuma delas. Ent&atilde;o nesse dia, a priori me pareceu uma rea&ccedil;&atilde;o meio exagerada, sabe? Como eles sentiram tanto minha falta se nem amigo deles eu sou? Se nunca me relacionei com nenhum deles? Como podia fazer tanta diferen&ccedil;a? N&atilde;o tenho resposta para nenhuma dessas perguntas, mas sei que me enganei. J&aacute; havia me relacionado com eles, por menor que tenha sido o contato, por mais breve, e foi preciso isso tudo para que eu percebesse esse v&iacute;nculo, para que eu percebesse, de fato, a diferen&ccedil;a que eu fazia num grupo que &ldquo;mal participava&rdquo;. </p>

<p>Houveram, ent&atilde;o, contin&ecirc;ncias que impossibilitaram que eu participasse de alguns encontros posteriores. Provavelmente perdi momentos interessantes e marcantes, mas fiquei sabendo de alguns dos acontecidos. Gostaria de ter sido mais ativo neste est&aacute;gio. Saio com a sensa&ccedil;&atilde;o de que absorvi muito menos do que poderia, prova disso &eacute; esse relat&oacute;rio que com muito custo escrevo (e que ainda tem menos de duas p&aacute;ginas inteiras). &Eacute; aquela velha hist&oacute;ria: queria ter mais casos pra contar. </p>

<p>Mas como n&atilde;o tenho, pulo para o &uacute;ltimo encontro.</p>

<p> O dia foi conturbado: acordei muito cedo, me arrumei daquele jeito (que todos devem ter percebido que &eacute; muito diferente do que normalmente me visto) e fui fazer uma entrevista de est&aacute;gio l&aacute; no CIA em Sim&otilde;es Filho. No final das contas n&atilde;o fui escolhido para a vaga, mas foi uma experi&ecirc;ncia interessante de sele&ccedil;&atilde;o. Senti uma tens&atilde;o enorme, e pude ver isso quando cheguei na sala de aula (muito atrasado) e entrei no c&iacute;rculo. Minhas costas do&iacute;am, meu corpo reclamava de todo aquele nervosismo e mobiliza&ccedil;&atilde;o. Senti muita dor mesmo. Mais ou menos na altura da minha esc&aacute;pula direita e ela n&atilde;o cedia. S&oacute; quando cheguei em casa que consegui relaxar. Mas relaxado ou n&atilde;o, isso n&atilde;o impossibilitou que muita coisa se passasse em mim. Comovi-me muito com as apresenta&ccedil;&otilde;es das meninas que se mobilizaram muito com o que elas tinham feito. N&atilde;o entendi ao certo o que deveria ser feito, mas se agora me fosse ofertado um monte de argila e uma t&aacute;bua de madeira, eu desenharia algo parecido com um c&iacute;rculo, feito por peda&ccedil;os distintos mas ainda assim unidos. Este c&iacute;rculo simbolizaria o grupo. Cada um &eacute; diferente, mas todos est&atilde;o no mesmo barco, no caso, no mesmo c&iacute;rculo. Como um grupo mesmo. Claro que se tivesse algum dom art&iacute;stico, eu faria algo mais intr&iacute;nseco e mais estilizado... ou talvez n&atilde;o, mas se AGORA tivesse que fazer algo com argila e que tivesse que ser relacionado &agrave; minha experi&ecirc;ncia no est&aacute;gio, eu desenharia um c&iacute;rculo, que mesmo tendo perdido um peda&ccedil;o durante o percurso, nunca deixou um espa&ccedil;o aberto.  </p>

<p align="right">Caio Rohr </p>

]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/06/26/@1581377/</link>
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			<pubDate>Thu, 26 Jun 2008 05:00:51 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Genuinamente acompanhada</title>
			<description><![CDATA[  <p class="MsoNormal">Eles andam pela relva. O capim macio massageia seus p&eacute;s cansados enquanto eles descem a ravina em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; margem do lago. Era um lago pl&aacute;cido e extenso, parecia n&atilde;o ter fim em um das suas extremidades. Era um belo lago margeado por uma bela colina de grama macia e de um verde vivo como a luz do sol salpicada com &aacute;rvores esparsas e robustas. O clima est&aacute; agrad&aacute;vel: nuvens cobrem parcialmente o c&eacute;u e os raios de sol irrompem atrav&eacute;s delas como se estivessem fazendo um esfor&ccedil;o descomunal para romper uma barreira intranspon&iacute;vel. Ainda assim n&atilde;o est&aacute; frio. Nem quente. Est&aacute; agrad&aacute;vel. Um vento frio sopra por entre as colinas que rodeiam o lago, fazendo com que os cabelos dos dois esvoa&ccedil;assem livres e arredios. O frio era compensado pelo calor repentino que os raios emitiam quando extrapolavam o maci&ccedil;o de nuvens.</p>

  <p class="MsoNormal">Perto de umas das extremidades do lago estavam os seus destinos. Eram para aquele lugar que eles rumavam.</p>

  <p class="MsoNormal">E foram seguindo seu rumo. Descendo a colina com leveza e alegria estampada nas suas faces jovens. Alegria, pois est&atilde;o indo para o lugar que sempre mereceram estar, alegres por estarem juntos, compartilhando mais esse momento, alegres por amarem um ao outro mais do que nunca e por terem certeza absoluta que ao chegarem ao seu destino, esse amor ser&aacute; preservado, cultivado e expandido. Por toda a eternidade.</p>

  <p class="MsoNormal">Eles dois trocam olhares apaixonados, mas n&atilde;o proferem uma palavra sequer sabem que palavras n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias no lugar que est&atilde;o, sabem que se falarem quebrar&atilde;o o sil&ecirc;ncio e assim suas intimidades, suas juras e sentimentos ser&atilde;o jogados ao vento.</p>

  <p class="MsoNormal">O vento. O &uacute;nico que ousa quebrar o sil&ecirc;ncio envolvente dessas paragens m&aacute;gicas.</p>

  <p class="MsoNormal">Ent&atilde;o, quase que imperceptivelmente, o uivo do vento se torna uma lam&uacute;ria.</p>

  <p class="MsoNormal">Essa mudan&ccedil;a passa despercebida pelos dois. Eles continuam na sua descida serelepe. Seus p&eacute;s pareciam n&atilde;o tocar a grama verde. As m&atilde;os se entrela&ccedil;am e eles atingem juntos os &aacute;pices da cumplicidade, da intimidade e da entrega dos seus corpos e almas. Ent&atilde;o param, trocam olhares e se abra&ccedil;am at&eacute; que seus corpos tenham se tornado um e suas almas residissem o mesmo lugar.</p>

  <p class="MsoNormal">Ent&atilde;o, ela se afasta e seu olhar est&aacute; diferente. Ela se senta em uma pedra pr&oacute;xima e olha para o ch&atilde;o. V&ecirc; as folhas de capim entre seus dedos. Sente frio, um frio t&atilde;o cortante que mesmo que seu amado a cobrisse com seu corpo, ela n&atilde;o sentiria conforto. Ent&atilde;o soube que sua hora havia chegado. Limitou-se a trocar mais um olhar com ele que agora estava a sua frente, agachado, com o olhar mais acolhedor que ele podia oferecer. Ent&atilde;o houve mais um contato, um olhar sublime entre os dois que deixou claro para ele o que ela havia descoberto. E seu olhar entristeceu. Estavam t&atilde;o perto do seu destino. O que poderia ele fazer? Ent&atilde;o, ela ousou o inesperado. Ela quebrou o sil&ecirc;ncio e disse &ldquo;n&atilde;o me deixe, pois chegou minha hora&rdquo;. Nesse momento o mundo todo estremeceu, a grama perdeu sua vivacidade e a lam&uacute;ria do vento se tornou um choro. Todos souberam o que estava acontecendo e todos perceberam o que o mundo estava prestes a perder, mas ningu&eacute;m ousou se aproximar e arriscar profanar o momento mais intenso da vida dos dois. Ele ent&atilde;o, seguindo o exemplo da sua amada, quebra o seu sil&ecirc;ncio &ldquo;n&atilde;o te deixarei, mesmo ap&oacute;s a sua partida definitiva&rdquo;. E todo o mundo se calou e chorou baixinho.</p>

  <p class="MsoNormal">Ela ent&atilde;o se deitou e aconchegou na pedra, que parecia estar aquecida. Uma sutil condol&ecirc;ncia do mundo que lamentava. Ele a acompanhou. Deitou-se &agrave;s suas costas e p&ocirc;s-se a acariciar seus cabelos fartos, tocar com a ponta dos dedos a sua pele macia e quente e deslizar por todo o corpo suas m&atilde;os cheias de vida. Ela ent&atilde;o se vira para ele e eles se olham. E permanecem assim por tempo incont&aacute;vel. Horas, dias, meses poderiam ter passado naquele breve instante, mas eles n&atilde;o saberiam dizer. Estavam absortos na paix&atilde;o que os seus olhares irradiavam. Ela soube, nesse instante, que ele n&atilde;o se esqueceria dela. Mesmo ap&oacute;s a passagem de eras, ela ainda estaria viva na sua mem&oacute;ria.</p>

  <p class="MsoNormal">N&atilde;o se sabe quanto tempo os dois permaneceram naquela posi&ccedil;&atilde;o, se olhando e se amando de forma t&atilde;o delicada e sutil. O que se sabe &eacute; que muito tempo passou, e ele come&ccedil;ou a sentir o peso do cansa&ccedil;o. Suas p&aacute;lpebras pendiam pesadamente sobre os olhos, suas id&eacute;ias e racioc&iacute;nios come&ccedil;aram e ficar lentos e turvos, ent&atilde;o ela lhe dispensou um olhar de compaix&atilde;o, como se dissesse que ele poderia dormir, pois o que ele podia ter feito por ela, ele fez. Ent&atilde;o sua mente flutuou para algum lugar distante. Parecia um t&uacute;nel, sem fim. Uma queda suave at&eacute; as profundezas do seu ser. At&eacute; que avistou alguma coisa. Seria uma luz? N&atilde;o. Era o reflexo de um lago, cercado por um enorme gramado verde. Ent&atilde;o ele se viu deitado na mesma pedra que se encontrava a sua companheira. Mas ele estava sozinho nela. Os raios ainda apareciam esporadicamente, o vento ainda uivava balan&ccedil;ando a grama macia. Mas ele estava sozinho. Sentiu um vazio enorme, sentiu que tudo que tinha cultivado com sua companheira havia se esva&iacute;do da sua mem&oacute;ria. N&atilde;o gradualmente, mas abruptamente. Um frio percorreu seu corpo e ele caiu de joelhos e chorou. Quando sua primeira l&aacute;grima tocou o ch&atilde;o, ele ouviu algo, uma voz, um som que ele adorava acima de tudo, mas que at&eacute; ent&atilde;o parecia estar longe e perdido para sempre: a voz da sua companheira, que perguntava por que ele chorava. </p>

  <p class="MsoNormal">-choro, pois deixei voc&ecirc; escapar da minha mem&oacute;ria</p>

  <p class="MsoNormal">Mas ele estava enganado. O que vira foi uma premoni&ccedil;&atilde;o do que aconteceria se perdesse esse momento, se abrisse m&atilde;o de presenciar o &uacute;ltimo momento da sua amada. Ent&atilde;o decidiu acordar para ver que ela ainda estava ao seu lado.</p>

  <p class="MsoNormal">-como posso me perdoar por ter arriscado perder esse momento?</p>

  <p class="MsoNormal">-como posso te culpar se esteve ao meu lado por todo esse tempo? O momento n&atilde;o passou e ainda preciso de voc&ecirc; comigo</p>

  <p class="MsoNormal">Ent&atilde;o se calou e a tomou nos bra&ccedil;os. Ao fazer isso, seu corpo tomou propor&ccedil;&otilde;es gigantescas, e ele pode envolver ela completamente, e pode aquecer ela com o seu pr&oacute;prio corpo e transmitir seu amor, paix&atilde;o e carinho dessa forma. </p>

  <p class="MsoNormal">Um sorriso, um brilho no olhar. Ela ent&atilde;o pediu que ele aproximasse seu rosto do dela e falou baixinho ao seu ouvido.</p>

  <p class="MsoNormal">-eu te amo, mas isso voc&ecirc; j&aacute; sabe. Por isso parto em paz</p>

  <p class="MsoNormal">Ent&atilde;o deu seu &uacute;ltimo suspiro com delicadeza e calma e seus olhos se fecharam para nunca mais trocar nenhum olhar com o seu escolhido.</p>

  <p class="MsoNormal">Nenhuma l&aacute;pide foi feita para ela, nenhum epit&aacute;fio escrito. Tudo a seu respeito estaria, de ali em diante, guardado na mente daquele que esteve com ela genuinamente.</p>

  <p class="MsoNormal">No lugar da sua sepultura nasceu uma &aacute;rvore de tronco robusto e imponente, sua copa era frondosa e larga, e suas folhas eram vivas e balan&ccedil;avam com alegria ao vento que presenciara todo o ocorrido.</p>

<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>

<p align="right" class="MsoNormal">Caio Rohr&nbsp;</p>

  ]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/05/30/@1572973/</link>
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			<pubDate>Fri, 30 May 2008 09:40:48 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Untitled</title>
			<description><![CDATA[  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><font face="arial,helvetica,sans-serif">Reflex&atilde;o de Psicologia Geral IV (ou Processos Psicol&oacute;gicos B&aacute;sicos IV)</font>&nbsp;</p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Desde pequeno, eu notei um problema pertinente em mim: falta de motiva&ccedil;&atilde;o. Eu lembro dos meus dias de escola, quando era necess&aacute;rio um est&iacute;mulo exterior (normalmente aversivo) para me fazer estudar. Meus pais me amea&ccedil;ando castigo ou oferecendo alguma coisa normalmente eram os mais eficientes. Estudar nunca foi prazeroso. Aprender era e &eacute; um prazer, mas estudar n&atilde;o. Sempre gostei de aprender brincando, experimentando, me machucando no parquinho do condom&iacute;nio, me ralando, caindo, levando bronca. Nunca gostei de ver num livro as coisas que &ldquo;precisava&rdquo; aprender. N&atilde;o fazia muito sentido. Esse meu problema n&atilde;o aparecia s&oacute; com as atividades escolares, era expl&iacute;cito em se tratando de brincadeiras quando crian&ccedil;a, de amigos e namoradinhas durante a adolesc&ecirc;ncia e atualmente &eacute; visto perante algumas obriga&ccedil;&otilde;es. Preciso deixar claro que isso n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de pregui&ccedil;a. Nunca fui pregui&ccedil;oso. Sempre gostei de fazer as coisas e ver as coisas acontecerem, &eacute; um prazer enorme saber que algo foi bem sucedido por conta de um esfor&ccedil;o meu. Isto &eacute;, as coisas que me interessavam. Essas sim eu fazia com o cora&ccedil;&atilde;o. Eram feitos interessantes e muitas vezes reconhecidos por v&aacute;rias pessoas. Tenho a impress&atilde;o que hoje em dia o meu problema est&aacute; com o &ldquo;dever&rdquo;. Fazer porque devo &eacute; a coisa mais desestimulante que consigo pensar atualmente.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Com isso em mente, decidi que minha reflex&atilde;o giraria em torno da motiva&ccedil;&atilde;o em aprender. &Eacute; de se imaginar no exato momento em que escrevo este texto, mais desmotivado eu n&atilde;o poderia estar. A minha situa&ccedil;&atilde;o emocional e fisiol&oacute;gica n&atilde;o tem me ajudado muito. Tenho tido problemas como ins&ocirc;nia por algum tempo, por isso ficar acordado at&eacute; tarde fazendo atividade da faculdade &eacute; algo complicado. S&atilde;o exatamente duas da manh&atilde;, meus olhos pesam e cerca de quatro horas atr&aacute;s me envolvi numa discuss&atilde;o que come&ccedil;ou com gritos e terminou em choro. Ent&atilde;o, obviamente, minha vontade &eacute; largar isso tudo e ir dormir, ou pelo menos tentar dormir, j&aacute; que sono &eacute; uma conting&ecirc;ncia que n&atilde;o tem presen&ccedil;a confirmada.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Na minha opini&atilde;o, o fator decisivo no aprendizado &eacute; a vontade de aprender. Falo isso por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria, e &eacute; dela que pretendo falar, pois das minhas experi&ecirc;ncias pessoais, eu sei tudo. </span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Vou usar o exemplo da leitura de um livro. Eu gosto muito de ler, romances, filosofia, s&aacute;tiras, sociologia, psicologia. Gosto muito de romances, fic&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas para ser exato. Tenho uma grande cole&ccedil;&atilde;o de Isaac Asimov na minha biblioteca particular. Um dia decidi que leria o cl&aacute;ssico dele, uma s&eacute;rie de livros chamada de A Funda&ccedil;&atilde;o. Comecei a leitura, mas depois de meras 70 p&aacute;ginas, eu abandonei o livro na cabeceira. O livro &eacute; at&eacute; bom, virou um cl&aacute;ssico por algum motivo, mas n&atilde;o tocou algo em mim que me desse tes&atilde;o pra continuar, n&atilde;o provocou nenhum movimento interno. Com estudos a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; semelhante, at&eacute; me aplico na leitura dos textos passados e das discuss&otilde;es em sala de aula, mas se n&atilde;o movimentar algo em mim, ent&atilde;o n&atilde;o haver&aacute; nada para acomodar, pois n&atilde;o houve desequil&iacute;brio. Ou ent&atilde;o posso dizer que houve uma equilibra&ccedil;&atilde;o simples. Posso concluir que eu tenho um alto grau de toler&acirc;ncia aos desequil&iacute;brios, pois s&atilde;o raras as equilibra&ccedil;&otilde;es majorantes pelas quais sou atravesso.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">No in&iacute;cio do ano passado, tive a experi&ecirc;ncia mais significativa da minha vida, em termos acad&ecirc;micos: me envolvi em est&aacute;gio b&aacute;sico que me mostrou as teorias humanistas, em foco, a Abordagem Centrada na Pessoa, descrita pelo norte americano Carl R. Rogers, nos anos 1960, que tratou bastante de aprendizado na sua obra. N&atilde;o &eacute; exatamente de Rogers que pretendo falar, mas da minha experi&ecirc;ncia neste est&aacute;gio. Logo no in&iacute;cio me senti meio enfadado com o clima &ldquo;alternativo&rdquo; que o est&aacute;gio era conduzido, estava acostumado com o padr&atilde;o sala de aula, professor, quadro, piloto e <em>slides</em>. Aquilo, logo de cara, foi um choque, mas n&atilde;o foi majorante. Ent&atilde;o come&ccedil;amos a estudar os escritos de Rogers. Foi a&iacute; que houve um grande choque, e todo o equil&iacute;brio caiu por terra. Aquilo provocou um movimento em mim que me instigou a estudar mais e mais. N&atilde;o foi exatamente o que est&aacute;vamos estudando que me balan&ccedil;ou dessa forma, foi a forma que aquilo foi estudado. O conte&uacute;do era passado de forma experiencial. Os alunos eram submetidos a situa&ccedil;&otilde;es que trouxessem &agrave; tona aquilo descrito nos textos, ent&atilde;o as palavras de Rogers eram ditas pelo facilitador com o intuito de descrever o que aconteceu. Aquilo tocava a todos n&oacute;s, est&aacute;vamos vendo (provavelmente pela primeira vez) como era, de verdade, o que estava em um livro acad&ecirc;mico. T&iacute;nhamos liberdade para ler o que quis&eacute;ssemos, para aprender o que nos agradasse, o que nos tocasse e fizesse algum significado para n&oacute;s. Tamb&eacute;m soube, na pr&aacute;tica, o que era equilibra&ccedil;&atilde;o majorante.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Isso tudo &eacute; um exemplo bem claro do que Piaget falou. Mas tem algo na teoria de Piaget que me incomoda um pouco. &Eacute; uma simples quest&atilde;o de nomenclatura. Acho que a palavra &ldquo;acomoda&ccedil;&atilde;o&rdquo; deveria ser abolida. O equil&iacute;brio &eacute; rompido, as informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o representadas para ent&atilde;o haver acomoda&ccedil;&atilde;o. Parece-me meio mon&oacute;tono, quase m&oacute;rbido. Algo quebra o equil&iacute;brio de um sistema funcional depois de algum tempo esse est&iacute;mulo se encontra mesclado e adestrado. Para mim a mente n&atilde;o &eacute; t&atilde;o estagnada, e o processo de aprendizado gera movimento interno, movimento esse que n&atilde;o cessa, mas vai se modificando com o tempo e com o aparecimento de novas informa&ccedil;&otilde;es. Talvez seja arrog&acirc;ncia demais propor um termo substituto, mas prefiro pensar que a pr&oacute;pria teoria de Piaget passou por um desequilibra&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s tantos anos. Algum g&ecirc;nio da ci&ecirc;ncia falou que chegou onde est&aacute; por que se ap&oacute;ia nos ombros de outros homens e nos seus esfor&ccedil;os. Pois ent&atilde;o, que haja progresso!</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Prefiro pensar nisso n&atilde;o como acomoda&ccedil;&atilde;o, mas como incorpora&ccedil;&atilde;o. Novas informa&ccedil;&otilde;es incorporadas ao turbilh&atilde;o que &eacute; a mente humana.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Foi assim que, durante toda a minha vida, as coisas significantes foram aprendidas. Caso fossem estimulantes, caso provocassem algo em mim, eu as devorava, as digeria, ressignificava tudo que girasse em torno delas para incorpora-las ao meu arcabou&ccedil;o te&oacute;rico e experiencial. Caso n&atilde;o tocassem em nada dentro de mim, eu as negligenciava. A&iacute; reside o grande desafio da educa&ccedil;&atilde;o, na minha opini&atilde;o: como fazer com que o aprendizado seja significativo e estimule o aprendiz?</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Carl Rogers fala da constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es baseadas em afeto. De acordo com suas observa&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias em escolas, tudo se resolve com mais facilidade, quando &eacute; estabelecida uma rela&ccedil;&atilde;o deste tipo. Porque n&atilde;o o ensino tamb&eacute;m? Porque n&atilde;o investir na rela&ccedil;&atilde;o entre o facilitador e o aprendiz? Se h&aacute; afeto na rela&ccedil;&atilde;o, se a rela&ccedil;&atilde;o &eacute; horizontal e humana, se &eacute; garantido ao aprendiz a liberdade para escolher para ele o que &eacute; mais interessante, o que provoca mais movimento, desequil&iacute;brio, ent&atilde;o o aprendizado &eacute; significativo e bem sucedido. Esse &eacute; o modelo de educa&ccedil;&atilde;o que para mim faz mais sentido.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">Sinto-me receoso em entregar esse texto. N&atilde;o se entregaria se fosse outro professor, mas j&aacute; que criatividade e um &ldquo;texto &uacute;nico&rdquo; eram as premissas para esse trabalho, acho que posso finaliza-lo por aqui.</span></p>

  <p style="line-height: 150%" class="MsoBodyText"><span style="font-family: Arial">S&atilde;o 03:41 da manh&atilde;, neste exato momento. Quase duas horas depois de ter come&ccedil;ado a escrever este texto, eu o termino. Estava desmotivado e descrente de que conseguiria alguma coisa, e se, caso conseguisse, seria algo que prestasse. Passei por uma grande confus&atilde;o interna ao redigi-lo, mas voltei ao meu equil&iacute;brio e incorporei o que pude. Achei motiva&ccedil;&atilde;o, pois o assunto que tratei &eacute; muito significativo para mim e ainda movimenta muita coisa dentro do meu ser. O resultado do meu choque &eacute; este.</span></p>

  <p align="right"><font face="arial,helvetica,sans-serif">&nbsp;Caio Rohr - 25/04/08</font><br /></p>

]]></description>
			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/05/15/@1567333/</link>
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			<pubDate>Thu, 15 May 2008 00:16:36 +0000</pubDate>
		</item>		<item>
			<title>Untitled</title>
			<description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp; Mais ou menos tr&ecirc;s anos atr&aacute;s, rec&eacute;m chegado do interc&acirc;mbio nos EUA, eu me vi deprimido... completamente deprimido. Let&aacute;rgico, desmotivado, me alimentando mal, andando por a&iacute; sem saber ao certo porque eu ia de l&aacute; pra c&aacute; e de c&aacute; pra l&aacute;... n&atilde;o entendia minha rotina, n&atilde;o compreendia minha dor... n&atilde;o fazia a menor id&eacute;ia do que era e o que eu podia fazer a respeito disso.</p>

<p>&nbsp;&nbsp; Minha m&atilde;e fez uma sugest&atilde;o: terapia.</p>

<p>&nbsp;&nbsp; No final das contas, s&oacute; fiz uma sess&atilde;o que, infelizmente, girou em torno do porque do meu sofrimento... constatamos que eu estava sofrendo porque, enquanto morava fora, eu tinha mais independ&ecirc;ncia, podia regular a minha vida e n&atilde;o precisava prestar contas a ningu&eacute;m, e que aqui eu tinha voltado ao papel de filho de fam&iacute;lia e que tinha perdido coisas que julgava essenciais na minha vida.</p>

<p>&nbsp;&nbsp; Legal.</p>

<p>&nbsp;&nbsp; E depois?</p>

<p>&nbsp;&nbsp; N&atilde;o me senti melhor e creio que n&atilde;o era esse o motivo pelo qual eu sofria. At&eacute; hoje n&atilde;o sei ao certo, mas quando me encontro em situa&ccedil;&atilde;o parecida, eu ainda me bato com perguntas &quot;porque voc&ecirc; t&aacute; se sentindo assim?&quot;... como se saber o motivo fizesse alguma diferen&ccedil;a... como se saber como funciona, saber como uma coisinha faz tamanhas mudan&ccedil;as na pessoa, acolhesse e confortasse.<br /></p>

<p>&nbsp;&nbsp; E n&atilde;o &eacute; que faz?</p>

<p>&nbsp;&nbsp; Sofrer sem saber porque... &eacute; complicado. Pelo menos por esse ponto de vista, conhecer a causa do seu sofrimento te ajuda, mas isso &eacute; algo seu. Nesse caso, meu.<br /></p>

<p>&nbsp;&nbsp; Eu n&atilde;o aguento mais sofrer sem saber porque. A mais de quatro anos eu sofro, aparento n&atilde;o ter motivo, mas sofro. J&aacute; ouvi o seguinte &quot;voc&ecirc; n&atilde;o sabe ficar feliz, tem que arranjar um motivo pra estar triste&quot;...</p>

<p>&nbsp;&nbsp; Mais uma p&eacute;rola da fam&iacute;lia Rohr.<br /></p>

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			<link>http://caiorohr.tabulas.com/2008/03/24/@1537593/</link>
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			<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 03:32:26 +0000</pubDate>
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